O Sr. Albano percebia agora, passando a mão pela testa, delimitada por cabelo pastoso, o erro que fizera ao dizer àquele taxista que queira ir, simplesmente, visitar 'a célebre Custódia de Lisboa'. 'Meu amigo', disse-lhe ele ao fim da viagem, parando ao pé de um estabelecimento de fachada discreta, onde apenas num cartaz sumido se lia 'Acompanhantes Profissionais'. 'Olhe que eles ainda não estão abertos', disse o taxista ao Sr. Albano àquelas quatro da tarde, 'mas daqui a nada abrem', continuou - 'Olhe, e mande os meus cumprimentos à Custódia, diga que é da parte do Grilo, que ela sabe quem é'.
domingo, 31 de maio de 2009
Mão de Semear: Dicotomia do Contemporâneo
Não façamos erros de julgamento: esta crise, nas suas consequências socias, sente-se em cada família, em cada casa.
Há pais que dizem frases que nunca pensaram proferir, filhos que assumem revoltas de que se arrependerão, que podem, tantas vezes, ser definitivas no rumo de uma vida. Em casa onde não há pão todos ralham - e não surge a solução.
De gritos, ditos, dúvidas e culpa são feitos estes tempos. Para muita gente. E o Futuro tem ainda sinais a dar de melhor tempo a este Presente. Ainda não se vislumbram os rebentos de uma esperança, de algo novo, diferente. Ainda não veio essa... rebeldia contra a depressão.
É desta dicotomia que me recordo, ao pensar nestes dias: sofre sempre quem está 'à mão de semear'. Mas não se vêm as outras mãos - essas que poderiam, deveriam, estar a semear um futuro diferente.
sábado, 30 de maio de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Momentos 1
Foi então que Armando, num assomo de lucidez, por entre o pânico, se foi esconder dentro da pastelaria, por detrás do balcão de vidro. Suspirou de alívio, ainda escutando os gritos desencontrados dos homens que fugiam do touro.
Mais tarde, sozinho, havia de agradecer ao seu tio Custódio ter-lhe confidenciado aquele segredo de uma vida a lidar com gado: não há nada que afaste mais um touro bravo do que pastéis de nata. "Não te sei bem explicar porquê - desconfio que é da nata - mas os bichos não suportam aquilo. Folhados - ainda vá que não vá. Agora pastéis de nata mexem com o sistema nervoso dos animais. Por isso Armando, com o touro bravo, já sabes: duas regras - nunca te vistas de vermelho primeiro, e, segundo, se algum dia estiveres à rasca, lança-lhes um pastel de nata pró focinho, que eles arrepiam logo caminho. São piores que as cabras com os 'croissants'."
Mais tarde, sozinho, havia de agradecer ao seu tio Custódio ter-lhe confidenciado aquele segredo de uma vida a lidar com gado: não há nada que afaste mais um touro bravo do que pastéis de nata. "Não te sei bem explicar porquê - desconfio que é da nata - mas os bichos não suportam aquilo. Folhados - ainda vá que não vá. Agora pastéis de nata mexem com o sistema nervoso dos animais. Por isso Armando, com o touro bravo, já sabes: duas regras - nunca te vistas de vermelho primeiro, e, segundo, se algum dia estiveres à rasca, lança-lhes um pastel de nata pró focinho, que eles arrepiam logo caminho. São piores que as cabras com os 'croissants'."
Um Dia, Numa Vida Uma Amizade
Foste um fiel amigo,
E só eu
Quem se esqueceu
Dessa amizade.
Perdoa-me,
Se puderes -
Estava demasiado ocupado
A não ser traído
Para me lembrar do que é trair.
E... já não sei chorar,
Não quero mais sentir
(Que homem fizeram eles
Dessa criança surgir...?).
Perdoa-me, meu amigo,
Por nem sequer me despedir.
Estava demasiado envolvido
A esquecer
As noites,
E foram-se
Como mais uma notícia
As tardes em que brincávamos.
Perdoa-me,
Se puderes,
Esta crueldade de sobreviver
Que de ti,
De mim mesmo faz esquecer.
Descansa em paz,
Meu amigo,
E não leves demasiado essa criança
Que nunca se esqueceria
De ti.
Talvez...
Ela dê mais um dia à esperança
De voltar ao mundo
Em que te conheci.
Pedro Oliveira
E só eu
Quem se esqueceu
Dessa amizade.
Perdoa-me,
Se puderes -
Estava demasiado ocupado
A não ser traído
Para me lembrar do que é trair.
E... já não sei chorar,
Não quero mais sentir
(Que homem fizeram eles
Dessa criança surgir...?).
Perdoa-me, meu amigo,
Por nem sequer me despedir.
Estava demasiado envolvido
A esquecer
As noites,
E foram-se
Como mais uma notícia
As tardes em que brincávamos.
Perdoa-me,
Se puderes,
Esta crueldade de sobreviver
Que de ti,
De mim mesmo faz esquecer.
Descansa em paz,
Meu amigo,
E não leves demasiado essa criança
Que nunca se esqueceria
De ti.
Talvez...
Ela dê mais um dia à esperança
De voltar ao mundo
Em que te conheci.
Pedro Oliveira
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